Educação

Mercado de Jogos muda cenário da educação no Brasil

Não é de hoje que os games deixaram de ser apenas entretenimento e diversão e se tornaram parte do cotidiano dos Brasileiros. Agora esse é um assunto para gente grande e já se tornou um mercado rentável tanto para quem joga, quanto para quem desenvolve jogos. A elevação do número de jogadores segue a curva de crescimento do uso de dispositivos móveis.  Brasileiro é o 5º povo no mundo que mais usa celular diariamente. Esse dado estimulou o desenvolvimento de aplicativos e jogos mobile, ou seja, que são próprios para dispositivos móveis como smartphones, tablets e outros.

A popularização de alguns jogos como Candy Crush Saga, Pokemón e Farmville, por exemplo, possibilitou uma nova janela de mercado, que tende a crescer cada vez mais, potencializando o número de pessoas online, que inicialmente não têm custos para jogar, mas que estão muito mais inclinadas a investir em microtransações, ou seja, aquele tipo de compra que é realizada dentro do sistema do jogo, para aumentar as chances de vitória, sabe?! Como brasileiro é um bom competitivo por natureza, não é estranho que esse tipo de transação faça sucesso por aqui.  Em 2016, esse tipo de movimentação financeira chegou a representar 43% dos gastos com games no Brasil e anualmente esse número cresce em média 13%, com a expectativa de alcançar 498 milhões de dólares até 2021.

Crescimento acelerado 

Com jogos cada vez mais focados na experiência do usuário, valorizando a interação dos gamers com o próprio sistema e também com outros jogadores, com tecnologias cada vez mais sofisticadas e que estão fazendo cada vez mais parte do cotidiano do brasileiro,  a tendência é que o número de pessoas, de todas as idades, interagindo com máquinas para jogar cresça exponencialmente e o Brasil é um país que está muito bem posicionado neste sentido. Em 2018 a terra tupiniquim faturou nada mais nada menos do que 1,5 bilhões de dólares no setor de games, dado que fez o país liderar o ranking de rendimentos no setor na América Latina e ocupar a 13º posição global. A expectativa é que esse bom comportamento permaneça, com crescimento de 5,3% a cada ano, até 2022. Esses fatores fazem com que o país seja um terreno fértil para quem quer investir no desenvolvimento de jogos e também quem é um gamer nato. 

Perfil dos Jogadores
Quem são as pessoas por trás da tela do computador? Um estudo realizado no Brasil, em 2018, traçou o perfil dos gamers brasileiros e os resultados indicaram que os jovens dominam o mercado. Segundo os dados, a média etária dos jogadores é 21 anos, aquele pessoal mais descolado, do universo Geek e nativos digitais. Mas, essa linha etária pode expandir, chegando a pessoas de até 54 anos. Outra informação diagnosticada pela pesquisa é a renda desse jogadores, que varia entre R$ 7.313,60 ou 7,7 salários mínimos e a escolaridade, a maioria tem um grau médio. A frequência de consumo dos jogos também foi um ponto avaliado: mais de 40% dos entrevistados afirmaram jogar todos os dias e mais de 90% disseram assistir vídeos sobre game na internet pelo menos uma vez no mês. O tempo médio de jogo, durante a semana é de 3h, e no final de semana esse número cresce para 5h. Mas ainda há aquele time que vira a noite e perde a noção do tempo. 

Outra pesquisa desenvolvida sobre game destaca que quase 70% dos brasileiros admite ser usuários de games eletrônicos e grande parte desse todo elege os jogos como principal forma de entretenimento. Desse total, mais de 80% utilizam o celular para jogar. Praticidade, facilidade de acesso,  mobilidade (poder jogar em qualquer lugar) e qualidade de imagem são um os principais motivos sinalizados para a preferência dos jogos mobile. Android é o sistema operacional mais utilizado pelos gamers e quem tem esse tipo de dispositivo, normalmente, opta por jogos de estratégia. Os hábitos dos gamers sugerem que apesar da inclinação pelo mobile, jogar em casa ainda é o que gamers mais gostam de fazer. 

Depois dos smartphones, os consoles, que são os aparelhos desenvolvidos especificamente para videogames, estão entre os equipamentos mais utilizados pelos jogadores.  Xbox 360, Playstation 2, Playstation 3 e Xbox One são os queridinhos dos que têm esse tipo de aparelho em casa. Boa parte das pessoas que adquirem esses dispositivos utilizam os aparelhos também para ouvir músicas e assistir séries. Há ainda os que conservam modelos tradicionais e que não abrem mão dos clássicos. Os gêneros mais buscados por este público são os de ação e esporte. 

Quando o assunto é computador, laptops e notebooks são os mais utilizados pelos gamers. No segundo lugar da preferência estão os desktop gamers, que segundos os jogadores, são equipamentos que oferecem uma melhor experiência para os jogos. 

Outros itens como cadeiras gaming, simuladores e headset estão também entre os sonhos de consumo dos gamers, sendo alguns dos investimentos que este público faz para melhorar sua experiência.

Participação Feminina

Um dado que pode surpreender os desavisados é a quantidade de mulheres interessadas em jogos eletrônicos, elas são a maioria nesse universo, representando mais de 50% do total de jogadores. Elas estão entre os 25 e 54 anos. Embora em maior número, apenas 20% das mulheres se consideram realmente gamers, as demais dizem jogar eventualmente. Quando se trata de ‘hardcore gamers’ os homens ainda lideram. 

Desenvolvedores de Jogos 

Imagine trabalhar daquilo que você sempre amou fazer desde criança? Transformar a brincadeira em trabalho, isso está cada vez mais comum para os hardcore gamer, que têm um conhecimento mais apurado sobre o que precisa ser aprimorado, modificado, retirado e acrescentado dos jogos para melhorar a experiência do jogador. Isso porque se de um lado os gamers estão crescendo em escala exponencial, a necessidade de profissionais especializados em criação e desenvolvimento de novos jogos cresce paralelamente. No Brasil este é um mercado ainda em ascensão, mas que tem ganhado a atenção de muita gente, inclusive de investidores que já reconheceram o potencial dos brasileiros para este mercado. 

Na contramão da crise, que gera milhões de desempregos, a carreira de desenvolvedor de games foi uma das mais procuradas no Brasil, em 2019. De 2011 a 2019, o número de empresas que desenvolvem games eletrônicos cresceu 600%, o que, consequentemente, gerou um boom de faturamento para o setor e a necessidade de mais especialistas para atender as demandas que foram geradas. 

No Brasil já existe uma entidade para regulamentar esse nicho profissional, que é a Associação Brasileira dos Desenvolvedores de Jogos Digitais (Abragames) e segundo os dados apurados por eles, atualmente existem cerca de 300 empresas de games no país, que contratam novos profissionais constantemente. Como em toda profissão, os desenvolvedores de games também podem ocupar diversas funções, que dentro da empresa, compõem o time para o desenvolvimento de um novo projeto para a criação de um jogo eletrônico. Entre as funções que podem ser desempenhadas estão produtor, artista gráfico, designer, compositor, engenheiro de som, programador, testador ou até mesmo um jogador de teste, função que parece brincadeira mas que tem uma grande responsabilidade no produto final. 

As formações acadêmicas de um desenvolvedor de games são variadas, desde engenheiros, programadores, até arquitetos e músicos. E embora estes profissionais já carreguem consigo os conhecimentos de sua área, para ter uma excelente performance como desenvolvedor e conseguir cargos mais altos e, consequentemente, salários melhores, é necessário um conhecimento profundo de como funciona um game, pensando desde de como criar estratégias para conquistar o jogador, até nos mecanismos para as funcionalidades do sistema. O conhecimento do inglês também é algo fundamental para as funções que envolvem a carreira, sem a língua é praticamente impossível trabalhar com games 

Além de muita criatividade e ideias mirabolantes, o mercado de games exige conhecimentos específicos sobre a área e muitas empresas já se atentaram para este fato e lançaram no mercado diversos cursos voltados para a capacitação de desenvolvedores de games. 

Preparando novos Desenvolvedores

Com o aquecimento do mercado de games no Brasil, outra área também foi beneficiada pelo movimento, a de formação de desenvolvedores de jogos eletrônicos. Focados na teoria por trás dos games e em desenvolver habilidades para atuação na área, os cursos são destinados para pessoas que se interessam por este universo e enxergam o mercado como um promissor futuro profissional. 

No Brasil já é possível encontrar cursos de graduação em Designer de Games, Jogos Digitais, Software de jogos digitais entre outros cursos. Apesar dos esforços, o país ainda não é considerado referência na formação de profissionais para esta área, mas, pode-se considerar que o país está caminhando para ser competitivo neste mercado e exportar bons profissionais para pólos que hoje abastecem todo o mundo com o desenvolvimento de games. 

Faturamento disparado

No ano de 2016 os jogadores investiram US$644 milhões em games no Brasil. A previsão é que até 2021, esse valor suba para 1,4 bilhão de dólares, com aumento de 17% ao ano.

Os lucros com games no Brasil estão, majoritariamente, nas plataformas digitais, com foco nos jogos para plataformas mobiles. Até 2021 a receita com esses modelos de jogos deve alcançar 712 milhões de dólares. 

O mercado mundial já está de olho no Brasil, enxergando o país como uma grande oportunidade para o mercado de jogos. Anualmente o país recebe importantes e grandiosos eventos da área, que reúnem gamers, investidores e curiosos de todo o mundo.

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